sábado, 17 de dezembro de 2011

O Abismo...


No principio havia um abismo de silêncio...
Ela, nada entendia. A aparente calma parecia paz, mas era tormento de um êxtase que ela confiava toda e deixava ser engolida. Coração de moça, pulsando nas mãos. Já havia saido pela boca. Segurava-o com todo cuidado como se estivesse protegendo o mundo.
Ele a olhava como se fosse devorar um pedaço de sua alma. O moço era mais impulsivo e rompia com o martírio contido: falava das futilidades masculinas; e de futebol ela nada entendia. Ela falava dos livros que já havia lido e ali se encontravam e se entendiam. Trocavam versos, prosas e poesias. Havia uma alegre camaradagem.
O desvio do assunto era a distração das caricias inexplicáveis numa parte desconhecida deles.
Ele ficava envergonhado com o sopro de realidade que invadia seus pulmões e fazia-...o respirar a leveza de um coração emaranhado de ternura sensível – como em sonhos de amor pela menina. Ela era rude e apaixonada. Ele durão e sensível. Disfarçavam.
Assim, caminhavam um ao lado do outro em passos lentos. O receio das mãos os traírem e se entrelaçarem, fazia-os encompridar os passos para que numa pressa desesperada pudessem sobreviver ao desconhecido que inaugurava.
Caminharam juntos por um longo período. Caminhavam apressadamente: Era medo. Talvez da infantilizada sensação que arrepiava a perna da moça e causava frio na barriga do rapaz – como numa descida na montanha russa. Era desejo de ser maior do que era. Eram crianças.
No segredo dos olhos eles revelavam e compartilhavam seus íntimos desejos que ardiam em seus corpos em carne viva. E nas brigas se afastavam para depois se aproximarem com um calor escaldante e um frio na pele, ainda que distante. Estavam perdidamente apaixonados e se faziam de desentendidos.
Cresceram: ainda desajeitados com o coração na mão e o mesmo descontrole das palpitações desobedientes. Prosseguem nesse romance com a vida que trata logo de criar peças para que eles a encenem: Amam tanto que não lhes cabem.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O amor me deixa em carne viva

Tem momentos que eu procuro todas as respostas possíveis para isso que tanto me arde, pulsa, lateja e me faz adormecer. Batalhas perdidas porque há algo do indizível, do inexplicável que eu bem sei ainda que não saiba.  Então, eu tento. Tento encontrar as respostas. Ninguém sabe definir o amor, ainda que o sinta. Perco-me nisso e encontro com o coração pulsando nas mãos. Você está ali, sem pensar em nada e logo se entrega. Eu fico na defensiva, afinal, preciso me conter, senão te devoro todo. Porque para amar não precisa pensar sobre isso que  ultrapassa, alcança e faz arder em chamas. Vivo em carne viva, despida de mim e revestida de desejos. Agora, não mais penso e apenas sinto. A delicia de amar e lamber os lábios na mais suculenta voracidade que há. São os meus desejos de te devorar. Te devoro com o olhar, com o calor do corpo desnudo e no gozo do sexo ardente.
Você tira minha roupa e me chama de sua. Minha vontade é de roubar e engolir você em mim. Eternizar e unificar nossas vidas, sem deixar pequenos detalhes de nós dois para trás.
O amor me deixa em carne viva. Você me deixa adormecida e num terno laço de almas me faz pulsar, arder e latejar com o embalo da trilha sonora das batidas do coração. Foi a chama desse amor que me adormeceu e num sobressalto latejou numa deliciosa dor de você em mim: porque eu te amo tanto que me dói. Uma dor deliciosa que me faz amar num desejo voraz de te devorar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Confusão.

É fácil confundir amor com paixão. Paixão com tesão. Ilusão com realidade.
As batidas desordenadas e balanceio da alma numa submissão pura do corpo. O coração em ritmo de samba. O corpo à espera do toque do outro. Um beijo. Um abraço. Um amasso.
E assim, tropeça na paixão e cria um conto de amor. Ou vice-versa. Ou tropeça e cria. Doce tesão. 
Mas, amar é querer estar junto, rir com o riso do outro. Enxergar com sua visão. Ser a menina que enche seus olhos de beleza. É chorar quando o outro chora e secar a  lágrima no mais sublime desejo de amar para além do que se é. É desejar sustentar uma relação paradoxal. É criar imagem no real para suportar a realidade. Porque vida sem amor não é vida não. A mais digna invenção: O amor.
O amor é construção. Porque a gente se constrói com o outro. Os fios que tecem a nossa existência estão amaranhados ao novelo dele. É aprender a lidar com o outro respeitando seus defeitos. É se irritar quando ele deixa a toalha molhada em cima da cama ou deixar o sapato no meio da sala, mesmo depois de você ter reclamado centenas de vezes. É se irritar quando ela demora para se arrumar ou tem delírios de ciúmes. É reconhecer-se nos olhos do outro que revela as nossas próprias dificuldades e apresenta as nossas qualidades. Ou seja: Um laço que se prende com inicio, meio, fim, recomeço, reconstrução, sustentação. É desentender-se, entendendo-se. É sentir raiva por alguma falha mais continuar amando. É amar com defeitos e qualidades. Amor verdadeiro não acaba, mas o fogo apaga ainda que haja um fio de chama. Porque para amar é preciso aceitar a incompletude do outro. Saber que a metade não se completa, mas complementa. O amor não elimina uma falta que temos, mas, ameniza o desconforto. A paixão acaba quando o assunto desvanece e não tem espaço para a discussão. Nessas horas nada mais importa porque o que os unia caiu no chão. E então, não sabe se amou ou se apaixonou. Não passava de ilusão. Quase uma confusão. Talvez, a paixão seja uma fusão...O que nos tira o fôlego e nos deixa com o coração na mão. Ou não. Não sei. Me perdi, confundi.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O desconhecido.


Estava sentada na areia da praia, sentindo a brisa tocar meu corpo. Sem pensar em nada, sentia arrepio de pele e alegria de alma que, apesar das dores da existência, permitia-me sentir a alegria de ter nascido e a tristeza de ter resistido a sentir o gosto e a doçura da vida desconhecida em mim. Eu precisava desmoronar para me edificar e enfrentar o medo do precipício. O desconhecido. Uma vida no infinito da quimera e da incerteza do amanhã. Porque existir dói, mas viver é suportável e vivível quando não se busca explicação para a vida. Tinha pedaços de vida perdida na esquina.
Eu era naquela hora uma criança deslumbrada com a beleza do mar. E pensei na vida como uma adulta. Eu queria arranhar o céu, mas roia minhas unhas. Era a ingenuidade que anunciava que a criança não se torna adulto. Mas a gente vive a brincar de ser adulto se ainda é criança aqui dentro. Sentia febre de amor. O amor permanece infantil. E não adianta tentar mudá-lo, porque amor não muda, permanece assim. As formas de se relacionar sim. Essas mudam.
O desconhecido. Com um apelo no olhar revelava os segredos de seu vazio de alma e a procura pela inexplicável permuta de sentires. Abreviavamos as despedidas e como se colocasse uma vírgula no conto, ele me olhava e nada dizia, apesar de sentir o coração acelerar e saltitar em pulsações.Eu adormecia sob a luz do olhar dele.
Eu estava destinada a realidade. Minha obrigação era viver no enfado da ambivalência do amor de mundo; e ninguém me diria mais tarde que era amor e desalento. Era exaustiva a jornada ideológica que me conduzia no caminho das pedras e das marés. Aliás, eu sequer me aproximava da profundidade.
De repente, despertei. A vida é escrita nas profundezas oníricas e editadas na realidade. Estava sonhando. Meu amado estava roncando alto.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Não é vida! É respiração e transpiração.

Não aceito imperativos dos outros, não.
Fui e sou chamada de ovelha negra, mas nem vida desregrada eu tinha e tampouco tenho. Só queria escrever crônicas a minha maneira.

Acredito que nem todo ser que vive tem vida...Viver não é simplesmente respirar!
Justamente por isso, faço meu viver interessante. Viajo pra lugares incomuns, se tiver que me mudar pra outro lugar o faço sem titubear, converso com estranhos e ouço histórias trágicas, dramáticas, fantásticas e duvidosas.
Não sou de obedecer cegamente aos imperativos da sociedade, tipo :
"Consuma e será feliz!" "Está triste, tome pílula da alegria". "Tenha mil seguidores e será o Cara"
Felicidade não se compra e não há receita. Ser feliz não se tenta, ou o sujeito é feliz ou não é!
Pra ser o "cara" tem que ser bom o suficiente e conhecer quem se é. É fácil ser admirado pelos outros, o difícil é admirar o feio dentro de nós.

Não sou aquela que quer ser legal, não falo o que você quer ouvir, o que digo assumo, o que você interpreta é problema teu. E não gosto de pessoas passivas diante da vida que vive a se queixar e não faz nada pra melhorar. Sou esse tipo assim...
Não confio em pessoas que se sujeitam a posição de objetos de mercadoria, são pouco confiáveis, aceitam trocas a preço de banana.
Essa, gente que vive de imperativos...
Foi viver a vida narrada e ficou oprimido por não tecer sua própria narrativa.
Saiu correndo atrás de sua vida, os quarenta e cinco do segundo tempo chegou primeiro.
Correu tanto que chegou ao final, transpirando e ofegante.
Depois, lamentou-se: A vida é curta!
Isso não é vida. É respiração e transpiração.
Minhas pernas são curtas, mas dou passos longos e gradativos. Meu tempo corre numa velocidade implacável. Então, desobediente como sou, agarro a caneta e a vida se abre como um livro para eu escrever o que faço dela.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Não era amor, era orgasmo.


Ah, tem "amor" que não dói e faz tão bem quanto de fato, amar. Por uma noite, se tem um " amor". Amor que escapa entre os dedos, não se prende entre as pernas, mas se ganha no ápice. Esse é o amor que muitas mulheres, inconscientemente, acabam por se entregar na doce ilusão e confusão de que sexo e amor andam de mãos dadas. Se puder; não faça cara de quem discorda com isso, porque não é somente mulheres carentes que vivem nesses tropeços de amor e sexo, sexo e amor, mas muitas mulheres “decididas” e livres também tropeçam nos verbos. É desse jeito que as (des)iludidas ganham um “amor pra noite toda”. Desiludidas com os relacionamentos que não mais garantem uma vida amorosa ou matrimonial sólida, como de nossos avôs, pais e demais antepassados. 
Que sexo nada tem a ver com amor todas afirmam saber, mas muitas mulheres confundem o fato do sujeito conquistador fazê-la transpirar e relaxar com o orgasmo como sinônimo de que o que houve é ou foi amor. Depois de uma noite daquelas há que se questionar se o que houve foi somente uma relação de consumo (consumo com a tensão) ou uma relação de amor. Mas, questionar pra que se está bom essa doce e deliciosa ilusão de que a noite (in)esquecível foi marcada por um sonho de uma noite de amor? E outra, se parar pra pensar vai causar uma angústia danada e dar de cara com a falta de um suposto “amor pra vida toda” que ainda permanece no imaginário, pode assombrar demais a sensação da mulher autossuficiente.
Não tenho dúvidas de que a comparação do sexo ou amor (que seja conforme sua interpretação) como uma relação de consumo despertará as críticas das iludidas, convencidas e enganadas de que sexo e amor andam juntos ou que podem encontrar-se no mesmo instante. Ei, uma noite caliente não significa amor ardente. Favor, não confunda sexo com amor. Sexo é ato explicável. Amor é fato inexplicável. Não é porque a transa foi boa que é amor. De ato pra fato basta a fantasia para que cada uma crie sua história na tentativa de suprir uma falta que tanto assombra quanto a faz desejar.
Com todo o respeito às adeptas do sexo casual, prefiro as boas brigas com meu Romeu, tendo a certeza de que amor não é simplesmente beijos, amassos, orgasmos e ligações no dia seguinte. Amor é outra coisa... 
Se as mulheres não confundissem sexo com amor, não teria sentido a ansiedade que as assolam no dia seguinte enquanto espera uma ligação do amado. Até descobrir que não era amor, era orgasmo tomam-se doses de sexo casual na tentativa de se ter o "amor pra vida toda" numa noite. Então, quantas noites calientes seriam necessárias para se tecer o amor?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Na estrada tinha um pé de limoeiro

Na estrada tinha um pé de limoeiro. E com os pés das teimosias, fazemos escolhas em que os sabores contidos foram pouco ou muito agradáveis.
Quero ver quem nunca experimentou!
Ah, falando em sabores... Já senti vários tantos. Ultimamente tenho degustado o doce sabor de melancia (desconfio, viver não é só isso), mas sei que a vida nem sempre é tão doce e refrescante. Da melancia fruto rasteiro, ao limão pé de limoeiro, lambuzo-me por inteira e inteiramente mergulhada num idílio, crio outro sabor senão o sabor que tempera minha vida. De tragédias gregas a lírica poesia.
Minha visão realista e às vezes poética da vida fez-me perceber que os limões que caíram em cima de mim ou aqueles em que eu escolhi colher no pé deixaram marcas, gostos, desgostos e novas receitas com o sabor que foi, ficou e se transformou. Já provei de limões, que de tão ácidos provocou-me saliva na boca e destilei as palavras que a inundavam. E o faço também agora, que de tão doce que está, quero um sabor pra dosar. Há que se complicar para tornar o desafio de caminhar mais excitante.
Se eu encontrar um pé de limoeiro em que não alcanço, acabo cutucando com uma vara de tamanho suficiente para derrubar os limões em cima de mim. Porque quero justamente aquele lá, o impossível. Como re-conheço esses meus pés teimosos, me previno e tenho sempre em minhas mãos açúcar e água suficiente para fazer uma limonada.
E nesse caminhar, não há quem não provará desse sabor, porque na estrada tem sempre um pé de alguma coisa em que se experimenta o fruto. E a gente escolhe por teimosia, leva a mão pra pegar o limão ou aceita o que outra mão pode lhe oferecer (você aceita se quiser, escolha sua). Seria enjoativo e entediante encontrar na estrada somente os pés de melancia, e seria amargo e azedo viver embaixo do pé de limoeiro. E afinal, que sentido teria sentir o mesmo gosto o caminho inteiro?
Tomando o sabor que for, quem escolhe destilá-lo é a gente. Poderia ficar azeda ou um tanto melosa, prefiro equilibrar  isso e separando e plantando as melhores sementes sem jogar frutos podres no caminho dos outros.
Depois, de escolher e tomar uma dose azeda a gente fica acusando a vida ou outros companheiros de caminhada de serem injustos. Mas, a vida é muito generosa em permitir escolhe-la. Os caminhantes nem sempre o são tão generosos. Injusta? Somos você e eu, que responsabilizamo-la pelos pés de limoeiro na estrada, só para não assumir que fizemos a escolha no pé de fruta errado. A vida nos conduz nessa estrada, mas nós escolhemos fazer o que quiser com o que encontramos pela frente. E o que nos acomete sem que façamos escolha? Ah, são caminhos que servem para encontrar novos sabores.
E assim prosseguimos, re-petindo o mesmo caminho saboreando outros gostos. E às vezes, nada tem a ver com o pé de limoeiro, mas os pés que caminham em direção ao mesmo.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O céu é o inferno do amor.

Não sei onde me perco. Perdi algo ali. Ali, não sei onde. E onde há perda, há dor. Sei que me perdi no caminho, mas como percorro o céu e o inferno em frações de segundos em seus braços, não sei onde ficou um pedaço da minha alma. Sim, falta-me um pedaço que tentei encontrar na sua estrada.
Ah, eu sempre procuro por esse pedaço que encontro no abraço do seu inferno que queima os pedacinhos que ainda me sobra. Essa é a dor do inferno do amor, deliciosamente um céu, uma dor lancinante que queima.
O amor é meu inferno, te amar é meu céu. Você desce como um anjo que atormenta meu descanso e um demônio que me faz queimar na chama desse amor.  Perco-me nessa chama que atormenta meus dias. Encontro-me no inferno que queima cada pedaço da minha alma. Quando tu dizes que me ama, derreto-me no calor das chamas de suas palavras. Quanto tu me olhas, encanta-me com o céu contido nos teus olhos. Refrigério? Encontro nos teus beijos. O amor é o aponta(dor) do céu e do inferno.
Apesar de o amor não ser um pecado, amar é essa condenação deliciosa de viver entre o anjo e o demônio. Amar é viver no inferno do céu com um anjo que atormenta e acalenta.
Ei, menino bandido! De juíz, advogado e promotor tu me prendestes nessa cadeia. Eu, aceitei a sentença. A liberdade que encontro é na Lei do amor paradoxal. Puro tormento. De anjo e demônio teu amor, nosso amor atormenta essa paz assustadora. Amar não é crime! Mas, há quem mata afirmando ser por amor. Crime passional. Que amor é esse? Sei não!
Sei desse amor que me atormenta, esse que escrevo. Então, estendo os lençóis do céu para rabiscar em brasas, palavras desse inferno do nosso amor. Rabisco e continuo a rabiscar porque o fogo que arde “cá dentro” me leva a demonizar o anjo que há e faz-me ver que o céu é o inferno do amor. Paz? Só na ponta dos pés, porque os dedos das mãos estão calejados de tanto rabiscar essa dor que não pára de cl(amar) num ar(dor) que, por vezes, prende meu ar, me sufoca e me salva. Se há excesso, sufoca. Se me falta um pedaço, salva e faz-me viver amortecida no amor.
 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Não mais que seu olhar...Não mais que seu toque

É estranho; hoje está frio lá fora, porém, faz calor "cá dentro".
Já tive longos dias de inverno e curtos dias de verão. Mas, como na vida há tempos eternos e efêmeros, aproveito para sugar cada gota de orvalho e me vestir com cada raio que me cobre.  

E como há sempre algo que me falta, há algo que me sobra. Falta palavras, sobra afeto. Falta definições, sobra inspirações. Sou assim! Quando quero lhe dizer algo, fico em silêncio. Mas, minha alma grita e meus olhos revelam os gritos. Até tento disfarçar as aparências, mas as evidências não enganam.

Nada mais que seu olhar para me des-concertar. Perco-me no teu olhar e encontro-me nos teus braços.

Desvela-me com piscadelas na minha alma e cobre-me com teu mundo...
Ah, se tu soubesses que não mais que seu olhar me apetece, não mais que seu toque me aquece. Tu me entregas o mundo num abraço, teus carinhos nos teus olhos...Falta-me palavras, sobra amor. Amo, logo existo. Calo, logo grito.

O não dito, atua. As palavras que restam diante das que me faltam, escrevo o melhor canto possível nos contos em versos e poesias. Portanto, eu digo. E aquilo que tu não o sabes, conto-lhe no canto do conto. Nos não ditos do silêncio que lhe diz.

Tu me olhas, desconcerto-me. Tu me tocas, entrego-me. Tu me abraças, reintegro-me. Já lhe disse o que não foi dito. E eu que reclamava do frio, já não mais me importo com ele. Seja o inverno como for, tenho o teu calor. E como já disse Vinicius de Moraes "que seja infinito enquanto dure". Eu digo, que seja quente  e que haja sol enquanto houver inverno...Nas demais estações, nos reiventamos novamente. 



Soneto de fidelidade citado encontra-se em:
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mal-Dito Espelho.

Sou inquieta diante da vida. Fôlego diuturno e finitude diária me acompanham e me impelem a fazer desse enigma uma passagem interessante pelas estradas que caminho. Minha alma é nômade fixada no embarque do meu corpo. "Vez ou outra", ela se assusta no espaço em que habita...

Assim, foi hoje. Acordei e assustei-me com o que vi no espelho. Não pelo fato de estar com os cabelos como juba de leão e o hálito de flores, mas por não ser a mesma de ontem. 
Tenho um estilo de vida. Amo saborear e me aventurar nesse universo dentro de mim. Vivo de encontros, desencontros, términos, recomeços, construções e reconstruções, junto tudo e crio um estilo de vida.

Uso de eufemismo para contar as histórias mais trágicas em poesia. Hiperbóle para enfatizar a fome de vida e excesso de existência.

Ousadia e inquietação me fazem embarcar na mais profunda escolha; a de mergulhar nos labirintos e recônditos da minha alma. Uma viagem num abismo que não me traz de volta ao ponto de partida, ainda bem, sofreria de desnutrição e morreria de inanição se voltasse ao mesmo lugar.

De todos os lugares que passei, nada mais me marcou do que as palavras, os gostos, os espelhos pelos quais me encontrei. E de todos os estranhos que conheci, todos eram tão familiares que me perdi nas semelhanças e encontrei-me com as diferenças que atravessaram o espelho. Daí a resistência, o reflexo sou eu.

É "lá" que encontro meu lado avesso...O lado que (des)conheço, mas enxergo no espelho dos outros.
O que não aprecio em mim, aparece assim. Faz-me assustar, porque não sou eu, mas sou eu resistindo a reconhecer-me nesse espelho avesso de mim. Mas, eu me importo com o que vejo, senão, não falaria, não sentiria, não me assustaria. Então, fez sentido. Senti na pele da alma, doeu no corpo.

Eu só me importo com aquilo que me diz respeito e faz sentido.
Sinto-me incomodada com aquilo que me tira do comodismo, porque me enxergo num espelho diferente que não é o meu espelho acomodado com a mesma imagem de sempre. Vejo o que (des)conheço e não é tão bonito, por isso me assusto com as minhas autoalfinetadas. Me aproximo e me descubro em outro prisma. O problema não é contigo, mas comigo mesma e com essa face refletida no espelho.

Não sou tão bela quanto o espelho que levo na minha mala me diz. Tantos reflexos, tantos espelhos por onde andei, que me perdi nessas faces.
Tarefa complexa essa, a de juntar toda a bagagem e encontrar as faces que foram refletidas pelo espelho de outros. No entanto, é melhor encontrar-se assim com esse mal-dito espelho, do que ver todos os dias a mesma face no mesmo 'bem-dito' espelho que mente pra mim.

Se olhar no mal-dito espelho é para os fortes que desejam ouvir o que não quer, mas precisa para se enxergar melhor. Mas, os fracos se acomodam buscando ouvir o que o bem-dito espelho esconde. De fato, os fracos não sobrevivem ao enxergar a miséria de sua imagem e se alimentam de seu ego massageado pelas mentiras contadas por suas verdades absolutas.
Essa é a tendência em só enxergar o que se quer...Tire esse óculos!
Sim! estou me referindo a RomEu. MEu Romeu e eu brigamos quando enxergamo-nos nesses espelhos, senão os nossos mesmos...

Porque um dia você acorda e enxerga uma face (des)conhecida no espelho.
Se assusta e faz 'beicinho' para a estranha familiar, só porque reflete o que você não aprecia e não quer ver!
Depois, fica procurando a sua velha face.
Mas, ela ficou perdida em outro espelho ou se integrou nessa cara que você vê.
Eis o Dito espelho, que faz apelo.
Mal-Dito espelho. Diz dos meus maus dizeres. Abismo sem fim, encontrei em mim. Espelho, Espelho meu, diga-me quem sou eu! Fale agora e fale para sempre, já que atravessas meus caminhos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A vida é inexplicável. Mas viver é óbvio...

Tenho tantas perguntas a fazer e a responder, que acabo elaborando mais perguntas diante das respostas que me são insuficientes. No oceano da incógnita, tenho questionamentos que mais me deixa mergulhada num abismo de dúvidas, do que se tivesse obtido a certeza concreta deles...
São as dúvidas que me impelem a viver, porque não sei se estou vivendo ou sonhando que vivo. Afinal, o que é a vida?

Posso ter um conceito sobre vida diferente do que ela realmente é...mas é a minha vida, a minha dúvida. Sim, eu penso muito sobre a existência humana e formulo conceitos numa dúvida cruel. Será que a vida é um sonho que se acorda para a finitude quando o prazo do sonho vence? Ou será que a vida é um botão automático que é ligado desde a chegada do esperma ao óvulo e, depois que o vivente dá o ar da graça no mundo tem suas lições para fazer: Viver, morrer vivendo, procriar, deixando pegadas genéticas e um legado, até exaurir-se com o sumiço real da alma até secar-se os ossos? Qual a utilidade da existência?
Será que estou no palco da realidade como se fosse fantoche de Deus, ou melhor, da vida?

Essas perguntas, provoca-me um nó cerebral. Descartes afirmou: "Penso, logo existo." Eu, penso demais. Existo demais. Tenho dúvidas demais. Sou prolixa demais...E acabo concluindo conceitos que me convencem. Não me convenço fácil, mas sou flexível o bastante para aceitar minhas meias respostas e meias verdades.
A vida é inexplicável. Mas viver  é óbvio...

Viver é saber que tem prazo de validade, sem data prevista. Viver é saber que essa novela terá fim, sem saber como será o final. Viver é um saber do não saber.
E concluo...É o óbvio que me faz complicar para não me entediar...Porque a vida é um discurso indecifrável.
Por isso vivo complicando a vida.

Por ela ser inexplicável, eu implico com ela e crio poesias para torná-la um pouco explicável na lógica da minha existência e até mais suportável diante dos gritos da minha alma. Se eu não tenho a resposta na ponta da língua, eu procuro com os dedos. Daí, escrevo para libertar a minha alma desse solilóquio estabelecido com meu corpo. Minha alma conclama palavras e meu corpo balança nesse discurso prolixo humano.
 
E o que eu posso fazer se eu quero viver o óbvio inexplicável da vida?

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever." (Clarice Lispector)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Metade de mim é amor...A outra, palavra.

Não farei apelo para decifrar-me! Sou toda (in)compreensível. Tenho um lado que você não vê ou talvez, eu não permito que você o veja...Ou, você já tenha o visto e eu não saiba.

Confesso-lhe que considero ter um lado avesso. Todo frágil, choroso, sentimental e romântico demais. Ao contrário, da mulher racional que aparento ser.
Ainda tento disfarçar as aparências, mas as evidências não enganam.
Confesso, querido...Minha alma tem uma enorme cícatriz que tanto me acalenta quanto me atormenta, tanto me adoece quanto me cura. Eis a cícatriz do amor que sangra diuturnamente e envolve as pulsações lancinantes da minha existência. Faz-me temer, como se estivesse na escuridão da noite. Faz-me ousar como se mergulhasse no mar.

Nesse temor, escondo-me da liberdade, mas ela me prende. Numa manifestação ousada lanço-me no mar salgado que adoça minha boca. Escorre palavras. Escapa entre os dedos. É um (in)finito dentro de mim, perco-me e esbarro-me em você. Metade de mim é amor...A outra, palavra. Junto tudo, 'vez ou outra' crio poesia. Falta-me palavras, sobra assunto, senão o amor. Eis o desenho da minha alma. 

Por mais que eu tente, não encontro outra forma de acalentar-me e curar-me, senão pelas palavras.Sou prolixa e (in)compreensível. Talvez, por mergulhar nesse (in)finito, lanço-me no meu mar íntimo e numa loucura incansável anseio por aprender a nadar na escuridão da noite. Ah! Mas quero mesmo uma noite enluarada...E sabe, na noite enluarada quero a lua de papel para escrever no céu o nosso amor. Iluminar a tua noite rabiscando a sua alma. Ser a estrela do teu céu e as águas do teu mar, só pra lamber a tua alma...Talvez, você seja a outra metade de minhas palavras que me faz enlouquecer racionalmente.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Se o silêncio me abocanha, as palavras me alcançam.

Embora, todas as manhãs, o sol se estenda na janela emoldurando-a, nem todos os dias ele brilha tanto quanto gostariamos. Diante disso, minha alma dança. E como uma bailarina, coloco-me na ponta dos pés para alcançar a melhor performance nesse balé clássico.
Antes de levantar-me da cama, respiro o vento morno que adentra pela fresta da janela. É verão, mas faz inverno 'cá dentro'. Enquanto isso, penso e sinto...não tem gosto mais amargo do que sentir o gosto do desgosto ao ver os planos elaborados indo por água abaixo...(Pensando)
Puro eufemismo o que estou dizendo.Utilizo de metáforas e eufemismo para diminuir o gosto amargo na boca de certas frustrações. Elas, as frustrações, são imprencindíveis, para nos humanizarmos. Enfim, ela quem coloca um limite em mim e me diz: "Você é faltante! Não pode tudo! Não há completude!". Apesar de eu ter um limiar, consideravelmente, alto para tolerá-la, não gosto de engolir o gosto amargo dos planos esvanecendo.

Esse é o palco em que aspiro pelos desafios, que às vezes, muito do que foi planejado não saí conforme o esperado. Assim é a arte da vida, não há script. E enquanto prendo o ar em meus pulmões, numa contenção interna, não me ocorre naquele momento a inquietante lista de tarefas a serem solucionadas. Até que o "tic-tac" me aproxima dos dez andares abaixo de onde estou deitada. Lembro-me que lá, há um mundo frenético e louco a minha espera, que ainda está abafado nas paredes do meu quarto.
E não demorou  para eu lembrar das equações que me emudecem...E se o silêncio me abocanha, as palavras me alcançam.
Perco-me em meus monólogos. Escrevo e liberto-me. Enquanto escrevo, penso..."Não há problema, demasiadamente difícil quando se tem ajuda e que não seja solucionado. Principalmente quando há auto-ajuda, não dos livros (nada contra quem os lêem), mas de si mesmo. O que pode ser demasiado é o medo do enfrentamento e a insegurança em ter que sair da zona de conforto. E quando tudo parece perdido é onde se encontra um caminho, entre o esperado da zona de conforto ou o in(esperado) dos desafios. E não é porque aquilo que foi planejado não deu certo, que deve ser abolido dos projetos."
E assim, tomei um gole de inspiração e uma dose de ânimo, até enxerguei melhor nesse momento. Sinto a brisa suave tocando meu rosto e,  as palavras acariciando minha alma enquanto a orquestra cardíaca me seduz e os sussuros íntimos do ar que me envolve, me convoca a sorrir para o sol brilhar conforme o samba da minha alma.
Reformulei, minha alma sorriu e o sol brilhou, aquecendo o frio 'cá dentro'. Reaquecida novamente. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Onde minhas mãos não tocam minh'alma transborda...

Há tempos que sinto a vida por outra ótica. Depois que minh'alma cresceu para além do meu pequeno corpo, enxergo melhor a vida quando olho com os olhos dessa extensão transbordante dentro dele. Apesar de não ter entrado na casa dos "inta" sinto-me um tanto quanto estranha, porque ela cresceu demais diante do espaço em que ela habita. Um pouco imatura numa maturidade com poucos caminhos percorridos no mapa. E quanto mais percorre caminhos, descobre outros, sente mais fome e sede.

Minh'alma é sedenta no vício em respirar. A cada instante, prendo a eternidade nos meus pulmões, mesmo que por um segundo, já que não sei onde estarei no próximo minuto. Respiro a vida, inspiro-me no amor e espirro palavras. E como se não bastasse tento dizer o indizível e tocar o intangível...E 'lá' onde minhas mãos não tocam que minh'alma transborda. Transborda de sede e fome insaciável. Ela é jovem! Não tem marcas do tempo.

Chronos é injusto e deixa marcas indeléveis no corpo. Também deixa um mapa com caminhos percorridos e caminhos a percorrer. É, ser jovem pode ser incompatível com chronos. Ser jovem não é ser criança, apesar de que há uma criança habitando em mim, sempre querendo saber porque. Ser jovem não é ser adolescente apesar de que em algumas situações há manifestações in-convenientes de alegria e alvoroço quando vejo o que desperta-me do sossego. Há jovens cronológicos demasiadamente velhos e há velhos marcados cronológicamente com uma alma jovem. Ser jovem é ter fome de vida, sede por palavras e mesmo quando chronos tiver demarcado território no corpo, ter um coração que samba celebrando o tão gentil e honesto ar.
Ser jovem é ter alma transbordante e embora as mãos estejam com a pele enrugada, o rosto sem esplendor para atrair olhares é ter uma habitante nessa casa que vai dizendo ao coração: Suspira!
E então seguir suspirando, deixando a alma fazer cócegas suscitando risos até o corpo gargalhar por inteiro.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ei, você é louca!

"Ei, você é louca! Você é estranha! Maluca!".
Ah, sou sim! Em menores doses. Enquanto eu escrevo, você me descreve. Por vezes, desconheço a descrição, já que sou tão discreta e não deixo pistas (creio eu!). Deve ser o lado avesso que desconheço. Mas reconheço que o desconhecido é familiar.

A loucura tão comum e frequente na cultura provoca efeitos nada indiferentes. Pelo contrário, suscita sentimentos tanto de repulsa e temor, indo pela via da exclusão quanto de admiração. Sim, admiração daqueles que são conhecidos como geniais. É meu amor, vai me dizer que tu não admira Van Gogh? Salvador Dalí? Clarice Lispector que tinha uma fragilidade psíquica?
Ah, mas a minha loucura perturba teu status quo. Fere seu mundo, tanto te assusta quanto te atraí!
Romeu, não se assuste! Tu não sabes do amanhã! Pense que se num determinado momento de sua vida, você se ver confrontado a responder a algo...(por exemplo: O que é ser pai? o que ser homem?). Se suas possibilidades internas e psíquicas forem insuficientes, poderá ouvir outras vozes...Criar uma realidade para suportar o insuportável, a sensação de perder o que sustentava, a sensação de fim de mundo, de morte em vida... 

Ah! Não preciso ir tão longe. E às vezes, em que você jogou na loteria e antes de sair sequer o resultado, já fizera planos com a fortuna, sem ao menos tê-la ganho? E quando você sonha? Sonhar é uma forma de delirar.
Quando afirmas que sou louca é porque o insuportável em minha loucura revela algo teu. Porque quem é louco escancara aquilo que não queremos saber, aquilo que queremos manter em oculto, reprimido ou podemos até fazer, em menor dose, discretamente, escondido.

Não temas! O que te incomoda diz respeito a si mesmo e tu não se deu conta disso. Daí, você me chama de louca para sustentar a si mesmo como "não louco", "normal". O insuportável que a loucura suscita é assustadoramente semelhante. Você fica inquieto e incomodado ao me ouvir dizendo isso. Mas na medida em que perder o temor em me ouvir, perderá o temor em escutar a si mesmo e assim vai percerber que normalidade não existe. Existe sim, formas diferentes de enxergar o mundo e tem pessoas que o enxergam a céu aberto. De perto, quem é normal?
Vou cantar uma música pra você!

Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...
Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...
(Raul Seixas)

Imagem: "O grito" é uma pintura do norueguês Edvard Munch de 1893.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Presente do Passado

Que história é essa de morrer para o passado? 
Então, meu amor, vou te contar que discordo dessa história e acho a maior utopia, além de psicologia barata e coisinhas de livros de auto-ajuda! Como sou do contra e tenho sempre uma crítica para fazer, discordo de quem afirme categoricamente para eu morrer para o meu passado. Sei que você, muitas vezes, se incomoda por eu expôr tão claramente minhas opiniões. Mas, como assim, morrer para o passado?  
Morrer para o passado não é a solução! A solução pode estar lá! Se eu morrer para ele, ele vai comigo para o túmulo.

Se morro para o passado, perco parte de minha história, senão toda a história. Meu passado me fez no hoje. Se sou o que sou hoje, muito do meu passado (se não todo) tem haver com isso. E você vem me falar de morrer para ele. Obstinada como sou, não vou morrer coisa nenhuma! Mas também não quero repetir e buscar mais do mesmo de forma diferente. Sou aquilo que não fui e fui aquilo que não sou! Disso o passado e eu, temos contas a acertar.
E não venha me dizer, que tenho que esquecer o passado e blábláblá...De blábláblá eu tenho outro lugar pra falar, se não agora mesmo! Para o passado não há borracha, não há "delete".

O passado se conserva integralmente. Ele aparece, mesmo que inconscientemente. E não adianta tentar apagar, esquecer, ele pode aparecer de forma escamoteada. Não adianta! Meu amor, a única forma é reconciliar-se com ele, ou melhor com nossa história. Não morra para o passado! Reconcilie-se com ele!
Tire-o da caixinha de presente. Rompe com esse laço que o enfeita! Ele é presente velho. Ele só é presente porque você o guardou na caixa. O presente do passado é tão velho que não adianta decorar a caixa, uma hora ela desmonta.

E enquanto ele fica na caixa, a nossa tendência é sempre chorar o leite derramado. E de tanto chorar as lágrimas e o leite, podes inundar a sua alma e  ficar soterrado nessa lama.
Agora, pare com essa história de morrer para o passado! Essencial é reconciliar-se com ele, porque viver é morrer dia a dia, se morro para o passado, mato minha vida. Amanhã nosso presente será passado e daí você vai querer matá-lo?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Irremediávelmente Insatisfeita

De repente é amor!
Isso faz-me lembrar aquele filme com o lindo do Ashton Kutcher, mas nada tem a ver com o que há de ser dito, meu amor. Ashton é lindo, mas nada comparado com você e tua unha encravada, seu humor irritável quando esqueço as chaves do apartamento no escritório e tens que voltar para buscá-la...(exagerei, né?! Sou assim, meio, exagerada). E quando você pergunta sobre o que eu penso do amor (é, discutimos o indiscutível!); fico emudecida e enquanto isso minh'alma grita, porque penso tanto que me canso. Às vezes, não penso e quando nada penso, sinto. Daí, as coisas que não fazem sentido (naquele momento), tem o sentido em si...falam de uma verdade que possivelmente, está além do meu tempo lógico. É...vivo sentida do não sentido e sinto o que penso não sentir.

O que penso, racionalmente, fica sob meu controle ("controle, penso"...não são somente palavras, mais que isso, significantes...sou meio obsessiva?!); mas quando permito-me lançar no oceano enigmático e no que escapa entre os meus dedos, fico...meio, enlouquecida (falo com Romeu e ouço-me ao mesmo tempo); e logo começo a falar sobre o amor...

Tento falar de outra coisa, mas o que me ocorre...resta falar do amor, desse amor...Sou uma insatisfeita irremediável, por isso falo tanto no amor. Houve um tempo em que, simplesmente estar contigo era suficiente, mas hoje, não é mais assim! Há algo mais forte do que eu...Desejo, isso mesmo!

Não me contento com pouco. Há poucos dias, falei contigo e reafirmo:
Não quero ser somente o teu romance, quero ser o que te inspira a escreve-lo.
Não quero ser somente um trecho de música francesa, quero ser a inspiração de sua composição.
Não quero ser somente o que lhe tira o fôlego, quero ser o teu ar.
Não quero ser somente seu acalento, quero ser seu tormento.

Troque todas as negativas "não quero" por desejos.
Tudo o que digo que não quero é porque desejo e muito mais, mais do mais. Quero mesmo é ser seu tudo. Tudo aquilo que lhe falta, desde o que lhe satisfaz e o que lhe deixa insatisfeito, cheio de desejos. É assim que você me faz sentir!
Sou cheia de quereres e desejos. Sou irremediávelmente insatisfeita, um tudo nada.

O amor que visa a satisfação não é para mim! Desejo mais além do que podes me dar; ou melhor, não o tens para dar, por isso eu desejo-o. Todas às vezes que tenta satisfazer-me, por um momento, sinto-me satisfeita. Em seguida, algo se reinicia e "dou de cara com um tudo nada". Todo o seu banquete de amor não me é suficiente, se fosse eu morreria sufocada e não haveria o milagre do amor. As minhas satisfações são meus quereres, mas os meus desejos são sempre insatisfeitos. É meu amor, tu tens algo que eu não tenho, não sei o que é...Talvez, o nada! E esse nada do que tens, faz-me deseja-lo. 

Não há remédio para minha insatisfação! Amo tanto que não cabe em mim! Amar é meu sintoma e o amor é a cura para a minha loucura. Isso é o que minha alma grita quando fico emudecida e o deixa atormentado. De repente meu silêncio é esse clamor que proclama e reclama desse amor.



terça-feira, 28 de junho de 2011

Felizes pra Sempre, Nunca, Era uma Vez! De Príncipe a Sapo.

Se teu amado, amante lhe diz "pra sempre", desconfie!
Pra sempre! Sempre acaba.
Se teu amado, amante lhe diz "nunca", desconfie!
Nunca! Não existe, não há tempo! Pode ser a qualquer hora.
Se teu amado, amante lhe diz "Era uma vez", desconfie!
Era uma vez! Só em contos de fada! De fada você não tem nada e de sapo ele tem tudo.
Se teu amado, amante lhe diz "Felizes para sempre", desconfie!
Felizes para sempre! Só nos filmes de Shrek e outros. O amor é também uma dor.
Se teu amado, amante lhe diz "somos um", desconfie!
Somos um! Nem Adão e Eva são dois em um. Eva não se submeteu a ordem dívina e deixou sua marca singular e não plural.

São tantos contos que permeiam o imaginário. Essas histórias que passam anos e anos e contamos para nós mesmas. Confesso que conto e acredito em certos momentos nesses contos, mesmo sabendo que de fada nada tenho (às vezes, penso que sou) sou muito mais bruxa (quando eu quero, se não todos os dias) ou mesmo, tenho um pouco das duas, meio bruxa, meio fada, por isso procuro meias-verdades.

Se penso, falo e digo se queres lançar no oceano enigmático do amor, deixe de sonhar com contos de fadas, nesse mundo pós moderno não existe príncipe, existem sapos que enriquecem nossa existência...(são sofismas que eu criei). São os sapos que nos impedem de mergulhar em nossos ideais infantís, (tudo bem que o inconsciente é infantil, atemporal)...mas, sim, os sapos são as quebras de nossos ideais!
E quer saber, é muito melhor ficar com um sapo que pode dar aquilo que não tem, mas que pensamos ter, que nos deixa insatisfeitas por não ter o que desejamos e isso nos faz desejantes, que toca nossa alma com palavras e nos embriaga com o amor.
Essa é minha concepção acerca do exercício do amor, que considero a conquista da maturidade.  Eu disse exercício?
Penso que...Deve ser um exercício a resolver os ideais infantís.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O gosto do Des-gosto



O gosto do horrível é amargura.
A sede do des-conhecido é curiosidade.
De tanto sentir amar-gura a menina teve sede.
Ficou curiosa e foi procurar o analista, essa figura que pouco fala.
Então, ela se pôs a falar. Foi tanto blábláblá que ela encontrou-se com as palavras e com o sim-toma.
As-sim tomou seu lugar e pôs se a falar e encontrou com "coisas", significantes.
Falou tanto em amor, em amar e amar-gurou. Ela se se-gurou a falar desse enigma, mas o sintoma a tomou.
Começou a sentir gosto em falar.
Sentiu o gosto do des-gosto, o gosto de gostar daquilo que provocava-lhe des-gosto.
Assim a menina descobriu que o amor era sua doença, seu sintoma.
O que causava-lhe des-gosto era também um gosto e sim, tomou gosto pelo des-gosto.
Ela tanto tomou,  e sim, soube que o seu amor era como a dor.
O amor desmedido, trans-figurou por isso ela amar-gurou.

sábado, 18 de junho de 2011

Os paradoxos do Amor

Não tenho razão para amar, mas amo-te porque sou louca. Louca por amar, decido-me enlouquecer por amor. Sim, eu digo que amor é decisão e a consequência é a loucura.  Loucura, porque o amor é um exercício a construir e reconstruir seus paradoxos.

O amor entendido como o desejo de união, institui um vínculo paradoxal, porque o amante "cativa" para ser amado "livremente"...Quem não deseja ser amado sem ser aprisionado numa teia de ciúme?! (desconfio se alguém afirmar que sente-se bem com um namorado (a), esposo (a) ou paquera, extremamente ciúmento!). Mas, não estou aqui para falar do ciúme doentio ou mesmo aquele ciúme saudável que remete ao zelo e ao cuidado com o outro, mas falo dos paradoxos do amor...Quando amamos cativamos um ao outro, mas queremos amar e ter liberdade, mesmo que subjetiva.

Nesse "cativeiro" do amor, amante e amado unem-se, fazendo apelo um ao outro na expressão de sua singularidade e de sua espontaneidade. Amante e amado se escolheram livremente para se unirem, sendo dois em um, sendo 1 + 1 = 2. Porém, confesso que, ás vezes, sinto um forte desejo em devora-lo, dominá-lo com a atração que exerço sobre ele...Esse amor inquietante, que acende o desejo de domínio integral e que só há descanso quando posso contempla-lo dormindo. Temo perde-lo (quem não teme?), assim desejo roubar seu oxigênio ou devora-lo. E quando ele acorda, me contêm com palavras e rompe com essa trama tecida por um desejo devorador, não deixando obstruir a liberdade um do outro.

Essa união remete a preservação da minha, da nossa, da integridade um do outro, porque mesmo juntos somos separados, isso exige respeito! Respeito, no sentido de que haja reconhecimento da minha individualidade. É preciso reciprocidade. Desejo que ele me veja como sou, singular, É por isso que, diuturnamente, digo que o amor é decisão e não um sentimento. Decido me entregar a esse oceano enigmático porque esse outro traz notícias minhas, mas há algo que escapa, e nessa tentativa de apreender o que escapa credito nesse outro um saber sobre o amor. Se o amor fosse sentimento seria fácil defini-lo, pois somos acometidos por emoções, sensações internas ao ver aquele que nos tira o fôlego...Amar é (um pouco) enlouquecer, mesmo que racionalmente, por isso, amo-te por ser racionalmente louca, por decidir mergulhar nos paradoxos da relação amorosa lancei-me nesse exercício tão ambíguo...Talvez, tudo o que eu tenha dito seja um delírio.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Amor e a Pós Modernidade.

Não me canso de escrever, mas agora não uso a caneta de tinta e o velho papel pautado. Faço uso do teclado do meu notebook, faço uso do meu tablet, Iphone, Ipad ou Smartphone.
O mundo não mudou, mas a pós modernidade o abacanhou juntamente com as pessoas que foram tomadas pelo surto tecnológico.

Não envio cartas à Ro-meu, que já não sei se és somente meu. Mas, comunico-me por meio de escritos seja em minha página ou em sua página virtual ou email pessoal.
Não há mais encontro face a face, mas basta um "click" e o email, o sms, os comentários garantem minha presença com meu amor.

Ama-se sem tocar, sem ver pessoalmente...
Ama-se de modo não exclusivista. Ama-se por uma noite inteira, por longos dias, por semanas...
Agora, Julieta trabalha. Romeu joga Playstation 3.
Julieta preocupa-se com os investimentos na bolsa de valores.
Romeu procura pelas novidades tecnológicas.
Julieta não morre, literalmente, se Romeu a deixar. Provavelmente, elabora o luto, nos braços de outro Ro-meu.
Julieta é independente, tem autonomia, é amante e amada.
Julieta sabe que o risco do amor é a separação, porque mergulhar numa relação amorosa supõe a possibilidade de perda. Ela sabe que separar-se é viver uma morte em vida, é perder parte do ar, sem deixar de respirar.

Por vezes, a Julieta Pós Moderna se perde nessas formas, mas se encontra quando seu corpo se estende em direção a outro corpo. Ela ama desejar o desejo do outro, ela ouve o apelo do outro e sobretudo deixa sua marca singular.
Essa é a Julieta Pós Moderna que compreende que a modificação nas relações significa, consequentemente a perda da forma antiga da expressão do amor, mas que ainda persiste, imaginariamente, o ideal de amor, aquele procl-amado nos versos de Chico Buarque.

Arts Bighouse