terça-feira, 28 de junho de 2011

Felizes pra Sempre, Nunca, Era uma Vez! De Príncipe a Sapo.

Se teu amado, amante lhe diz "pra sempre", desconfie!
Pra sempre! Sempre acaba.
Se teu amado, amante lhe diz "nunca", desconfie!
Nunca! Não existe, não há tempo! Pode ser a qualquer hora.
Se teu amado, amante lhe diz "Era uma vez", desconfie!
Era uma vez! Só em contos de fada! De fada você não tem nada e de sapo ele tem tudo.
Se teu amado, amante lhe diz "Felizes para sempre", desconfie!
Felizes para sempre! Só nos filmes de Shrek e outros. O amor é também uma dor.
Se teu amado, amante lhe diz "somos um", desconfie!
Somos um! Nem Adão e Eva são dois em um. Eva não se submeteu a ordem dívina e deixou sua marca singular e não plural.

São tantos contos que permeiam o imaginário. Essas histórias que passam anos e anos e contamos para nós mesmas. Confesso que conto e acredito em certos momentos nesses contos, mesmo sabendo que de fada nada tenho (às vezes, penso que sou) sou muito mais bruxa (quando eu quero, se não todos os dias) ou mesmo, tenho um pouco das duas, meio bruxa, meio fada, por isso procuro meias-verdades.

Se penso, falo e digo se queres lançar no oceano enigmático do amor, deixe de sonhar com contos de fadas, nesse mundo pós moderno não existe príncipe, existem sapos que enriquecem nossa existência...(são sofismas que eu criei). São os sapos que nos impedem de mergulhar em nossos ideais infantís, (tudo bem que o inconsciente é infantil, atemporal)...mas, sim, os sapos são as quebras de nossos ideais!
E quer saber, é muito melhor ficar com um sapo que pode dar aquilo que não tem, mas que pensamos ter, que nos deixa insatisfeitas por não ter o que desejamos e isso nos faz desejantes, que toca nossa alma com palavras e nos embriaga com o amor.
Essa é minha concepção acerca do exercício do amor, que considero a conquista da maturidade.  Eu disse exercício?
Penso que...Deve ser um exercício a resolver os ideais infantís.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O gosto do Des-gosto



O gosto do horrível é amargura.
A sede do des-conhecido é curiosidade.
De tanto sentir amar-gura a menina teve sede.
Ficou curiosa e foi procurar o analista, essa figura que pouco fala.
Então, ela se pôs a falar. Foi tanto blábláblá que ela encontrou-se com as palavras e com o sim-toma.
As-sim tomou seu lugar e pôs se a falar e encontrou com "coisas", significantes.
Falou tanto em amor, em amar e amar-gurou. Ela se se-gurou a falar desse enigma, mas o sintoma a tomou.
Começou a sentir gosto em falar.
Sentiu o gosto do des-gosto, o gosto de gostar daquilo que provocava-lhe des-gosto.
Assim a menina descobriu que o amor era sua doença, seu sintoma.
O que causava-lhe des-gosto era também um gosto e sim, tomou gosto pelo des-gosto.
Ela tanto tomou,  e sim, soube que o seu amor era como a dor.
O amor desmedido, trans-figurou por isso ela amar-gurou.

sábado, 18 de junho de 2011

Os paradoxos do Amor

Não tenho razão para amar, mas amo-te porque sou louca. Louca por amar, decido-me enlouquecer por amor. Sim, eu digo que amor é decisão e a consequência é a loucura.  Loucura, porque o amor é um exercício a construir e reconstruir seus paradoxos.

O amor entendido como o desejo de união, institui um vínculo paradoxal, porque o amante "cativa" para ser amado "livremente"...Quem não deseja ser amado sem ser aprisionado numa teia de ciúme?! (desconfio se alguém afirmar que sente-se bem com um namorado (a), esposo (a) ou paquera, extremamente ciúmento!). Mas, não estou aqui para falar do ciúme doentio ou mesmo aquele ciúme saudável que remete ao zelo e ao cuidado com o outro, mas falo dos paradoxos do amor...Quando amamos cativamos um ao outro, mas queremos amar e ter liberdade, mesmo que subjetiva.

Nesse "cativeiro" do amor, amante e amado unem-se, fazendo apelo um ao outro na expressão de sua singularidade e de sua espontaneidade. Amante e amado se escolheram livremente para se unirem, sendo dois em um, sendo 1 + 1 = 2. Porém, confesso que, ás vezes, sinto um forte desejo em devora-lo, dominá-lo com a atração que exerço sobre ele...Esse amor inquietante, que acende o desejo de domínio integral e que só há descanso quando posso contempla-lo dormindo. Temo perde-lo (quem não teme?), assim desejo roubar seu oxigênio ou devora-lo. E quando ele acorda, me contêm com palavras e rompe com essa trama tecida por um desejo devorador, não deixando obstruir a liberdade um do outro.

Essa união remete a preservação da minha, da nossa, da integridade um do outro, porque mesmo juntos somos separados, isso exige respeito! Respeito, no sentido de que haja reconhecimento da minha individualidade. É preciso reciprocidade. Desejo que ele me veja como sou, singular, É por isso que, diuturnamente, digo que o amor é decisão e não um sentimento. Decido me entregar a esse oceano enigmático porque esse outro traz notícias minhas, mas há algo que escapa, e nessa tentativa de apreender o que escapa credito nesse outro um saber sobre o amor. Se o amor fosse sentimento seria fácil defini-lo, pois somos acometidos por emoções, sensações internas ao ver aquele que nos tira o fôlego...Amar é (um pouco) enlouquecer, mesmo que racionalmente, por isso, amo-te por ser racionalmente louca, por decidir mergulhar nos paradoxos da relação amorosa lancei-me nesse exercício tão ambíguo...Talvez, tudo o que eu tenha dito seja um delírio.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Amor e a Pós Modernidade.

Não me canso de escrever, mas agora não uso a caneta de tinta e o velho papel pautado. Faço uso do teclado do meu notebook, faço uso do meu tablet, Iphone, Ipad ou Smartphone.
O mundo não mudou, mas a pós modernidade o abacanhou juntamente com as pessoas que foram tomadas pelo surto tecnológico.

Não envio cartas à Ro-meu, que já não sei se és somente meu. Mas, comunico-me por meio de escritos seja em minha página ou em sua página virtual ou email pessoal.
Não há mais encontro face a face, mas basta um "click" e o email, o sms, os comentários garantem minha presença com meu amor.

Ama-se sem tocar, sem ver pessoalmente...
Ama-se de modo não exclusivista. Ama-se por uma noite inteira, por longos dias, por semanas...
Agora, Julieta trabalha. Romeu joga Playstation 3.
Julieta preocupa-se com os investimentos na bolsa de valores.
Romeu procura pelas novidades tecnológicas.
Julieta não morre, literalmente, se Romeu a deixar. Provavelmente, elabora o luto, nos braços de outro Ro-meu.
Julieta é independente, tem autonomia, é amante e amada.
Julieta sabe que o risco do amor é a separação, porque mergulhar numa relação amorosa supõe a possibilidade de perda. Ela sabe que separar-se é viver uma morte em vida, é perder parte do ar, sem deixar de respirar.

Por vezes, a Julieta Pós Moderna se perde nessas formas, mas se encontra quando seu corpo se estende em direção a outro corpo. Ela ama desejar o desejo do outro, ela ouve o apelo do outro e sobretudo deixa sua marca singular.
Essa é a Julieta Pós Moderna que compreende que a modificação nas relações significa, consequentemente a perda da forma antiga da expressão do amor, mas que ainda persiste, imaginariamente, o ideal de amor, aquele procl-amado nos versos de Chico Buarque.

Arts Bighouse