sábado, 18 de junho de 2011

Os paradoxos do Amor

Não tenho razão para amar, mas amo-te porque sou louca. Louca por amar, decido-me enlouquecer por amor. Sim, eu digo que amor é decisão e a consequência é a loucura.  Loucura, porque o amor é um exercício a construir e reconstruir seus paradoxos.

O amor entendido como o desejo de união, institui um vínculo paradoxal, porque o amante "cativa" para ser amado "livremente"...Quem não deseja ser amado sem ser aprisionado numa teia de ciúme?! (desconfio se alguém afirmar que sente-se bem com um namorado (a), esposo (a) ou paquera, extremamente ciúmento!). Mas, não estou aqui para falar do ciúme doentio ou mesmo aquele ciúme saudável que remete ao zelo e ao cuidado com o outro, mas falo dos paradoxos do amor...Quando amamos cativamos um ao outro, mas queremos amar e ter liberdade, mesmo que subjetiva.

Nesse "cativeiro" do amor, amante e amado unem-se, fazendo apelo um ao outro na expressão de sua singularidade e de sua espontaneidade. Amante e amado se escolheram livremente para se unirem, sendo dois em um, sendo 1 + 1 = 2. Porém, confesso que, ás vezes, sinto um forte desejo em devora-lo, dominá-lo com a atração que exerço sobre ele...Esse amor inquietante, que acende o desejo de domínio integral e que só há descanso quando posso contempla-lo dormindo. Temo perde-lo (quem não teme?), assim desejo roubar seu oxigênio ou devora-lo. E quando ele acorda, me contêm com palavras e rompe com essa trama tecida por um desejo devorador, não deixando obstruir a liberdade um do outro.

Essa união remete a preservação da minha, da nossa, da integridade um do outro, porque mesmo juntos somos separados, isso exige respeito! Respeito, no sentido de que haja reconhecimento da minha individualidade. É preciso reciprocidade. Desejo que ele me veja como sou, singular, É por isso que, diuturnamente, digo que o amor é decisão e não um sentimento. Decido me entregar a esse oceano enigmático porque esse outro traz notícias minhas, mas há algo que escapa, e nessa tentativa de apreender o que escapa credito nesse outro um saber sobre o amor. Se o amor fosse sentimento seria fácil defini-lo, pois somos acometidos por emoções, sensações internas ao ver aquele que nos tira o fôlego...Amar é (um pouco) enlouquecer, mesmo que racionalmente, por isso, amo-te por ser racionalmente louca, por decidir mergulhar nos paradoxos da relação amorosa lancei-me nesse exercício tão ambíguo...Talvez, tudo o que eu tenha dito seja um delírio.

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Arts Bighouse