segunda-feira, 25 de julho de 2011

Se o silêncio me abocanha, as palavras me alcançam.

Embora, todas as manhãs, o sol se estenda na janela emoldurando-a, nem todos os dias ele brilha tanto quanto gostariamos. Diante disso, minha alma dança. E como uma bailarina, coloco-me na ponta dos pés para alcançar a melhor performance nesse balé clássico.
Antes de levantar-me da cama, respiro o vento morno que adentra pela fresta da janela. É verão, mas faz inverno 'cá dentro'. Enquanto isso, penso e sinto...não tem gosto mais amargo do que sentir o gosto do desgosto ao ver os planos elaborados indo por água abaixo...(Pensando)
Puro eufemismo o que estou dizendo.Utilizo de metáforas e eufemismo para diminuir o gosto amargo na boca de certas frustrações. Elas, as frustrações, são imprencindíveis, para nos humanizarmos. Enfim, ela quem coloca um limite em mim e me diz: "Você é faltante! Não pode tudo! Não há completude!". Apesar de eu ter um limiar, consideravelmente, alto para tolerá-la, não gosto de engolir o gosto amargo dos planos esvanecendo.

Esse é o palco em que aspiro pelos desafios, que às vezes, muito do que foi planejado não saí conforme o esperado. Assim é a arte da vida, não há script. E enquanto prendo o ar em meus pulmões, numa contenção interna, não me ocorre naquele momento a inquietante lista de tarefas a serem solucionadas. Até que o "tic-tac" me aproxima dos dez andares abaixo de onde estou deitada. Lembro-me que lá, há um mundo frenético e louco a minha espera, que ainda está abafado nas paredes do meu quarto.
E não demorou  para eu lembrar das equações que me emudecem...E se o silêncio me abocanha, as palavras me alcançam.
Perco-me em meus monólogos. Escrevo e liberto-me. Enquanto escrevo, penso..."Não há problema, demasiadamente difícil quando se tem ajuda e que não seja solucionado. Principalmente quando há auto-ajuda, não dos livros (nada contra quem os lêem), mas de si mesmo. O que pode ser demasiado é o medo do enfrentamento e a insegurança em ter que sair da zona de conforto. E quando tudo parece perdido é onde se encontra um caminho, entre o esperado da zona de conforto ou o in(esperado) dos desafios. E não é porque aquilo que foi planejado não deu certo, que deve ser abolido dos projetos."
E assim, tomei um gole de inspiração e uma dose de ânimo, até enxerguei melhor nesse momento. Sinto a brisa suave tocando meu rosto e,  as palavras acariciando minha alma enquanto a orquestra cardíaca me seduz e os sussuros íntimos do ar que me envolve, me convoca a sorrir para o sol brilhar conforme o samba da minha alma.
Reformulei, minha alma sorriu e o sol brilhou, aquecendo o frio 'cá dentro'. Reaquecida novamente. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Onde minhas mãos não tocam minh'alma transborda...

Há tempos que sinto a vida por outra ótica. Depois que minh'alma cresceu para além do meu pequeno corpo, enxergo melhor a vida quando olho com os olhos dessa extensão transbordante dentro dele. Apesar de não ter entrado na casa dos "inta" sinto-me um tanto quanto estranha, porque ela cresceu demais diante do espaço em que ela habita. Um pouco imatura numa maturidade com poucos caminhos percorridos no mapa. E quanto mais percorre caminhos, descobre outros, sente mais fome e sede.

Minh'alma é sedenta no vício em respirar. A cada instante, prendo a eternidade nos meus pulmões, mesmo que por um segundo, já que não sei onde estarei no próximo minuto. Respiro a vida, inspiro-me no amor e espirro palavras. E como se não bastasse tento dizer o indizível e tocar o intangível...E 'lá' onde minhas mãos não tocam que minh'alma transborda. Transborda de sede e fome insaciável. Ela é jovem! Não tem marcas do tempo.

Chronos é injusto e deixa marcas indeléveis no corpo. Também deixa um mapa com caminhos percorridos e caminhos a percorrer. É, ser jovem pode ser incompatível com chronos. Ser jovem não é ser criança, apesar de que há uma criança habitando em mim, sempre querendo saber porque. Ser jovem não é ser adolescente apesar de que em algumas situações há manifestações in-convenientes de alegria e alvoroço quando vejo o que desperta-me do sossego. Há jovens cronológicos demasiadamente velhos e há velhos marcados cronológicamente com uma alma jovem. Ser jovem é ter fome de vida, sede por palavras e mesmo quando chronos tiver demarcado território no corpo, ter um coração que samba celebrando o tão gentil e honesto ar.
Ser jovem é ter alma transbordante e embora as mãos estejam com a pele enrugada, o rosto sem esplendor para atrair olhares é ter uma habitante nessa casa que vai dizendo ao coração: Suspira!
E então seguir suspirando, deixando a alma fazer cócegas suscitando risos até o corpo gargalhar por inteiro.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ei, você é louca!

"Ei, você é louca! Você é estranha! Maluca!".
Ah, sou sim! Em menores doses. Enquanto eu escrevo, você me descreve. Por vezes, desconheço a descrição, já que sou tão discreta e não deixo pistas (creio eu!). Deve ser o lado avesso que desconheço. Mas reconheço que o desconhecido é familiar.

A loucura tão comum e frequente na cultura provoca efeitos nada indiferentes. Pelo contrário, suscita sentimentos tanto de repulsa e temor, indo pela via da exclusão quanto de admiração. Sim, admiração daqueles que são conhecidos como geniais. É meu amor, vai me dizer que tu não admira Van Gogh? Salvador Dalí? Clarice Lispector que tinha uma fragilidade psíquica?
Ah, mas a minha loucura perturba teu status quo. Fere seu mundo, tanto te assusta quanto te atraí!
Romeu, não se assuste! Tu não sabes do amanhã! Pense que se num determinado momento de sua vida, você se ver confrontado a responder a algo...(por exemplo: O que é ser pai? o que ser homem?). Se suas possibilidades internas e psíquicas forem insuficientes, poderá ouvir outras vozes...Criar uma realidade para suportar o insuportável, a sensação de perder o que sustentava, a sensação de fim de mundo, de morte em vida... 

Ah! Não preciso ir tão longe. E às vezes, em que você jogou na loteria e antes de sair sequer o resultado, já fizera planos com a fortuna, sem ao menos tê-la ganho? E quando você sonha? Sonhar é uma forma de delirar.
Quando afirmas que sou louca é porque o insuportável em minha loucura revela algo teu. Porque quem é louco escancara aquilo que não queremos saber, aquilo que queremos manter em oculto, reprimido ou podemos até fazer, em menor dose, discretamente, escondido.

Não temas! O que te incomoda diz respeito a si mesmo e tu não se deu conta disso. Daí, você me chama de louca para sustentar a si mesmo como "não louco", "normal". O insuportável que a loucura suscita é assustadoramente semelhante. Você fica inquieto e incomodado ao me ouvir dizendo isso. Mas na medida em que perder o temor em me ouvir, perderá o temor em escutar a si mesmo e assim vai percerber que normalidade não existe. Existe sim, formas diferentes de enxergar o mundo e tem pessoas que o enxergam a céu aberto. De perto, quem é normal?
Vou cantar uma música pra você!

Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...
Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...
(Raul Seixas)

Imagem: "O grito" é uma pintura do norueguês Edvard Munch de 1893.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Presente do Passado

Que história é essa de morrer para o passado? 
Então, meu amor, vou te contar que discordo dessa história e acho a maior utopia, além de psicologia barata e coisinhas de livros de auto-ajuda! Como sou do contra e tenho sempre uma crítica para fazer, discordo de quem afirme categoricamente para eu morrer para o meu passado. Sei que você, muitas vezes, se incomoda por eu expôr tão claramente minhas opiniões. Mas, como assim, morrer para o passado?  
Morrer para o passado não é a solução! A solução pode estar lá! Se eu morrer para ele, ele vai comigo para o túmulo.

Se morro para o passado, perco parte de minha história, senão toda a história. Meu passado me fez no hoje. Se sou o que sou hoje, muito do meu passado (se não todo) tem haver com isso. E você vem me falar de morrer para ele. Obstinada como sou, não vou morrer coisa nenhuma! Mas também não quero repetir e buscar mais do mesmo de forma diferente. Sou aquilo que não fui e fui aquilo que não sou! Disso o passado e eu, temos contas a acertar.
E não venha me dizer, que tenho que esquecer o passado e blábláblá...De blábláblá eu tenho outro lugar pra falar, se não agora mesmo! Para o passado não há borracha, não há "delete".

O passado se conserva integralmente. Ele aparece, mesmo que inconscientemente. E não adianta tentar apagar, esquecer, ele pode aparecer de forma escamoteada. Não adianta! Meu amor, a única forma é reconciliar-se com ele, ou melhor com nossa história. Não morra para o passado! Reconcilie-se com ele!
Tire-o da caixinha de presente. Rompe com esse laço que o enfeita! Ele é presente velho. Ele só é presente porque você o guardou na caixa. O presente do passado é tão velho que não adianta decorar a caixa, uma hora ela desmonta.

E enquanto ele fica na caixa, a nossa tendência é sempre chorar o leite derramado. E de tanto chorar as lágrimas e o leite, podes inundar a sua alma e  ficar soterrado nessa lama.
Agora, pare com essa história de morrer para o passado! Essencial é reconciliar-se com ele, porque viver é morrer dia a dia, se morro para o passado, mato minha vida. Amanhã nosso presente será passado e daí você vai querer matá-lo?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Irremediávelmente Insatisfeita

De repente é amor!
Isso faz-me lembrar aquele filme com o lindo do Ashton Kutcher, mas nada tem a ver com o que há de ser dito, meu amor. Ashton é lindo, mas nada comparado com você e tua unha encravada, seu humor irritável quando esqueço as chaves do apartamento no escritório e tens que voltar para buscá-la...(exagerei, né?! Sou assim, meio, exagerada). E quando você pergunta sobre o que eu penso do amor (é, discutimos o indiscutível!); fico emudecida e enquanto isso minh'alma grita, porque penso tanto que me canso. Às vezes, não penso e quando nada penso, sinto. Daí, as coisas que não fazem sentido (naquele momento), tem o sentido em si...falam de uma verdade que possivelmente, está além do meu tempo lógico. É...vivo sentida do não sentido e sinto o que penso não sentir.

O que penso, racionalmente, fica sob meu controle ("controle, penso"...não são somente palavras, mais que isso, significantes...sou meio obsessiva?!); mas quando permito-me lançar no oceano enigmático e no que escapa entre os meus dedos, fico...meio, enlouquecida (falo com Romeu e ouço-me ao mesmo tempo); e logo começo a falar sobre o amor...

Tento falar de outra coisa, mas o que me ocorre...resta falar do amor, desse amor...Sou uma insatisfeita irremediável, por isso falo tanto no amor. Houve um tempo em que, simplesmente estar contigo era suficiente, mas hoje, não é mais assim! Há algo mais forte do que eu...Desejo, isso mesmo!

Não me contento com pouco. Há poucos dias, falei contigo e reafirmo:
Não quero ser somente o teu romance, quero ser o que te inspira a escreve-lo.
Não quero ser somente um trecho de música francesa, quero ser a inspiração de sua composição.
Não quero ser somente o que lhe tira o fôlego, quero ser o teu ar.
Não quero ser somente seu acalento, quero ser seu tormento.

Troque todas as negativas "não quero" por desejos.
Tudo o que digo que não quero é porque desejo e muito mais, mais do mais. Quero mesmo é ser seu tudo. Tudo aquilo que lhe falta, desde o que lhe satisfaz e o que lhe deixa insatisfeito, cheio de desejos. É assim que você me faz sentir!
Sou cheia de quereres e desejos. Sou irremediávelmente insatisfeita, um tudo nada.

O amor que visa a satisfação não é para mim! Desejo mais além do que podes me dar; ou melhor, não o tens para dar, por isso eu desejo-o. Todas às vezes que tenta satisfazer-me, por um momento, sinto-me satisfeita. Em seguida, algo se reinicia e "dou de cara com um tudo nada". Todo o seu banquete de amor não me é suficiente, se fosse eu morreria sufocada e não haveria o milagre do amor. As minhas satisfações são meus quereres, mas os meus desejos são sempre insatisfeitos. É meu amor, tu tens algo que eu não tenho, não sei o que é...Talvez, o nada! E esse nada do que tens, faz-me deseja-lo. 

Não há remédio para minha insatisfação! Amo tanto que não cabe em mim! Amar é meu sintoma e o amor é a cura para a minha loucura. Isso é o que minha alma grita quando fico emudecida e o deixa atormentado. De repente meu silêncio é esse clamor que proclama e reclama desse amor.



Arts Bighouse