quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mal-Dito Espelho.

Sou inquieta diante da vida. Fôlego diuturno e finitude diária me acompanham e me impelem a fazer desse enigma uma passagem interessante pelas estradas que caminho. Minha alma é nômade fixada no embarque do meu corpo. "Vez ou outra", ela se assusta no espaço em que habita...

Assim, foi hoje. Acordei e assustei-me com o que vi no espelho. Não pelo fato de estar com os cabelos como juba de leão e o hálito de flores, mas por não ser a mesma de ontem. 
Tenho um estilo de vida. Amo saborear e me aventurar nesse universo dentro de mim. Vivo de encontros, desencontros, términos, recomeços, construções e reconstruções, junto tudo e crio um estilo de vida.

Uso de eufemismo para contar as histórias mais trágicas em poesia. Hiperbóle para enfatizar a fome de vida e excesso de existência.

Ousadia e inquietação me fazem embarcar na mais profunda escolha; a de mergulhar nos labirintos e recônditos da minha alma. Uma viagem num abismo que não me traz de volta ao ponto de partida, ainda bem, sofreria de desnutrição e morreria de inanição se voltasse ao mesmo lugar.

De todos os lugares que passei, nada mais me marcou do que as palavras, os gostos, os espelhos pelos quais me encontrei. E de todos os estranhos que conheci, todos eram tão familiares que me perdi nas semelhanças e encontrei-me com as diferenças que atravessaram o espelho. Daí a resistência, o reflexo sou eu.

É "lá" que encontro meu lado avesso...O lado que (des)conheço, mas enxergo no espelho dos outros.
O que não aprecio em mim, aparece assim. Faz-me assustar, porque não sou eu, mas sou eu resistindo a reconhecer-me nesse espelho avesso de mim. Mas, eu me importo com o que vejo, senão, não falaria, não sentiria, não me assustaria. Então, fez sentido. Senti na pele da alma, doeu no corpo.

Eu só me importo com aquilo que me diz respeito e faz sentido.
Sinto-me incomodada com aquilo que me tira do comodismo, porque me enxergo num espelho diferente que não é o meu espelho acomodado com a mesma imagem de sempre. Vejo o que (des)conheço e não é tão bonito, por isso me assusto com as minhas autoalfinetadas. Me aproximo e me descubro em outro prisma. O problema não é contigo, mas comigo mesma e com essa face refletida no espelho.

Não sou tão bela quanto o espelho que levo na minha mala me diz. Tantos reflexos, tantos espelhos por onde andei, que me perdi nessas faces.
Tarefa complexa essa, a de juntar toda a bagagem e encontrar as faces que foram refletidas pelo espelho de outros. No entanto, é melhor encontrar-se assim com esse mal-dito espelho, do que ver todos os dias a mesma face no mesmo 'bem-dito' espelho que mente pra mim.

Se olhar no mal-dito espelho é para os fortes que desejam ouvir o que não quer, mas precisa para se enxergar melhor. Mas, os fracos se acomodam buscando ouvir o que o bem-dito espelho esconde. De fato, os fracos não sobrevivem ao enxergar a miséria de sua imagem e se alimentam de seu ego massageado pelas mentiras contadas por suas verdades absolutas.
Essa é a tendência em só enxergar o que se quer...Tire esse óculos!
Sim! estou me referindo a RomEu. MEu Romeu e eu brigamos quando enxergamo-nos nesses espelhos, senão os nossos mesmos...

Porque um dia você acorda e enxerga uma face (des)conhecida no espelho.
Se assusta e faz 'beicinho' para a estranha familiar, só porque reflete o que você não aprecia e não quer ver!
Depois, fica procurando a sua velha face.
Mas, ela ficou perdida em outro espelho ou se integrou nessa cara que você vê.
Eis o Dito espelho, que faz apelo.
Mal-Dito espelho. Diz dos meus maus dizeres. Abismo sem fim, encontrei em mim. Espelho, Espelho meu, diga-me quem sou eu! Fale agora e fale para sempre, já que atravessas meus caminhos.

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