terça-feira, 30 de agosto de 2011

Na estrada tinha um pé de limoeiro

Na estrada tinha um pé de limoeiro. E com os pés das teimosias, fazemos escolhas em que os sabores contidos foram pouco ou muito agradáveis.
Quero ver quem nunca experimentou!
Ah, falando em sabores... Já senti vários tantos. Ultimamente tenho degustado o doce sabor de melancia (desconfio, viver não é só isso), mas sei que a vida nem sempre é tão doce e refrescante. Da melancia fruto rasteiro, ao limão pé de limoeiro, lambuzo-me por inteira e inteiramente mergulhada num idílio, crio outro sabor senão o sabor que tempera minha vida. De tragédias gregas a lírica poesia.
Minha visão realista e às vezes poética da vida fez-me perceber que os limões que caíram em cima de mim ou aqueles em que eu escolhi colher no pé deixaram marcas, gostos, desgostos e novas receitas com o sabor que foi, ficou e se transformou. Já provei de limões, que de tão ácidos provocou-me saliva na boca e destilei as palavras que a inundavam. E o faço também agora, que de tão doce que está, quero um sabor pra dosar. Há que se complicar para tornar o desafio de caminhar mais excitante.
Se eu encontrar um pé de limoeiro em que não alcanço, acabo cutucando com uma vara de tamanho suficiente para derrubar os limões em cima de mim. Porque quero justamente aquele lá, o impossível. Como re-conheço esses meus pés teimosos, me previno e tenho sempre em minhas mãos açúcar e água suficiente para fazer uma limonada.
E nesse caminhar, não há quem não provará desse sabor, porque na estrada tem sempre um pé de alguma coisa em que se experimenta o fruto. E a gente escolhe por teimosia, leva a mão pra pegar o limão ou aceita o que outra mão pode lhe oferecer (você aceita se quiser, escolha sua). Seria enjoativo e entediante encontrar na estrada somente os pés de melancia, e seria amargo e azedo viver embaixo do pé de limoeiro. E afinal, que sentido teria sentir o mesmo gosto o caminho inteiro?
Tomando o sabor que for, quem escolhe destilá-lo é a gente. Poderia ficar azeda ou um tanto melosa, prefiro equilibrar  isso e separando e plantando as melhores sementes sem jogar frutos podres no caminho dos outros.
Depois, de escolher e tomar uma dose azeda a gente fica acusando a vida ou outros companheiros de caminhada de serem injustos. Mas, a vida é muito generosa em permitir escolhe-la. Os caminhantes nem sempre o são tão generosos. Injusta? Somos você e eu, que responsabilizamo-la pelos pés de limoeiro na estrada, só para não assumir que fizemos a escolha no pé de fruta errado. A vida nos conduz nessa estrada, mas nós escolhemos fazer o que quiser com o que encontramos pela frente. E o que nos acomete sem que façamos escolha? Ah, são caminhos que servem para encontrar novos sabores.
E assim prosseguimos, re-petindo o mesmo caminho saboreando outros gostos. E às vezes, nada tem a ver com o pé de limoeiro, mas os pés que caminham em direção ao mesmo.

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