terça-feira, 16 de agosto de 2011

Não mais que seu olhar...Não mais que seu toque

É estranho; hoje está frio lá fora, porém, faz calor "cá dentro".
Já tive longos dias de inverno e curtos dias de verão. Mas, como na vida há tempos eternos e efêmeros, aproveito para sugar cada gota de orvalho e me vestir com cada raio que me cobre.  

E como há sempre algo que me falta, há algo que me sobra. Falta palavras, sobra afeto. Falta definições, sobra inspirações. Sou assim! Quando quero lhe dizer algo, fico em silêncio. Mas, minha alma grita e meus olhos revelam os gritos. Até tento disfarçar as aparências, mas as evidências não enganam.

Nada mais que seu olhar para me des-concertar. Perco-me no teu olhar e encontro-me nos teus braços.

Desvela-me com piscadelas na minha alma e cobre-me com teu mundo...
Ah, se tu soubesses que não mais que seu olhar me apetece, não mais que seu toque me aquece. Tu me entregas o mundo num abraço, teus carinhos nos teus olhos...Falta-me palavras, sobra amor. Amo, logo existo. Calo, logo grito.

O não dito, atua. As palavras que restam diante das que me faltam, escrevo o melhor canto possível nos contos em versos e poesias. Portanto, eu digo. E aquilo que tu não o sabes, conto-lhe no canto do conto. Nos não ditos do silêncio que lhe diz.

Tu me olhas, desconcerto-me. Tu me tocas, entrego-me. Tu me abraças, reintegro-me. Já lhe disse o que não foi dito. E eu que reclamava do frio, já não mais me importo com ele. Seja o inverno como for, tenho o teu calor. E como já disse Vinicius de Moraes "que seja infinito enquanto dure". Eu digo, que seja quente  e que haja sol enquanto houver inverno...Nas demais estações, nos reiventamos novamente. 



Soneto de fidelidade citado encontra-se em:
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.


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