quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A vida é inexplicável. Mas viver é óbvio...

Tenho tantas perguntas a fazer e a responder, que acabo elaborando mais perguntas diante das respostas que me são insuficientes. No oceano da incógnita, tenho questionamentos que mais me deixa mergulhada num abismo de dúvidas, do que se tivesse obtido a certeza concreta deles...
São as dúvidas que me impelem a viver, porque não sei se estou vivendo ou sonhando que vivo. Afinal, o que é a vida?

Posso ter um conceito sobre vida diferente do que ela realmente é...mas é a minha vida, a minha dúvida. Sim, eu penso muito sobre a existência humana e formulo conceitos numa dúvida cruel. Será que a vida é um sonho que se acorda para a finitude quando o prazo do sonho vence? Ou será que a vida é um botão automático que é ligado desde a chegada do esperma ao óvulo e, depois que o vivente dá o ar da graça no mundo tem suas lições para fazer: Viver, morrer vivendo, procriar, deixando pegadas genéticas e um legado, até exaurir-se com o sumiço real da alma até secar-se os ossos? Qual a utilidade da existência?
Será que estou no palco da realidade como se fosse fantoche de Deus, ou melhor, da vida?

Essas perguntas, provoca-me um nó cerebral. Descartes afirmou: "Penso, logo existo." Eu, penso demais. Existo demais. Tenho dúvidas demais. Sou prolixa demais...E acabo concluindo conceitos que me convencem. Não me convenço fácil, mas sou flexível o bastante para aceitar minhas meias respostas e meias verdades.
A vida é inexplicável. Mas viver  é óbvio...

Viver é saber que tem prazo de validade, sem data prevista. Viver é saber que essa novela terá fim, sem saber como será o final. Viver é um saber do não saber.
E concluo...É o óbvio que me faz complicar para não me entediar...Porque a vida é um discurso indecifrável.
Por isso vivo complicando a vida.

Por ela ser inexplicável, eu implico com ela e crio poesias para torná-la um pouco explicável na lógica da minha existência e até mais suportável diante dos gritos da minha alma. Se eu não tenho a resposta na ponta da língua, eu procuro com os dedos. Daí, escrevo para libertar a minha alma desse solilóquio estabelecido com meu corpo. Minha alma conclama palavras e meu corpo balança nesse discurso prolixo humano.
 
E o que eu posso fazer se eu quero viver o óbvio inexplicável da vida?

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever." (Clarice Lispector)

Um comentário:

  1. Verdadeiro e complexo...adorei este desfecho inspirado em Clarice e dando toda uma concordância ao texto!

    Desculpe por demorar a vir e obrigada pelo carinho! bjs

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