segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Confusão.

É fácil confundir amor com paixão. Paixão com tesão. Ilusão com realidade.
As batidas desordenadas e balanceio da alma numa submissão pura do corpo. O coração em ritmo de samba. O corpo à espera do toque do outro. Um beijo. Um abraço. Um amasso.
E assim, tropeça na paixão e cria um conto de amor. Ou vice-versa. Ou tropeça e cria. Doce tesão. 
Mas, amar é querer estar junto, rir com o riso do outro. Enxergar com sua visão. Ser a menina que enche seus olhos de beleza. É chorar quando o outro chora e secar a  lágrima no mais sublime desejo de amar para além do que se é. É desejar sustentar uma relação paradoxal. É criar imagem no real para suportar a realidade. Porque vida sem amor não é vida não. A mais digna invenção: O amor.
O amor é construção. Porque a gente se constrói com o outro. Os fios que tecem a nossa existência estão amaranhados ao novelo dele. É aprender a lidar com o outro respeitando seus defeitos. É se irritar quando ele deixa a toalha molhada em cima da cama ou deixar o sapato no meio da sala, mesmo depois de você ter reclamado centenas de vezes. É se irritar quando ela demora para se arrumar ou tem delírios de ciúmes. É reconhecer-se nos olhos do outro que revela as nossas próprias dificuldades e apresenta as nossas qualidades. Ou seja: Um laço que se prende com inicio, meio, fim, recomeço, reconstrução, sustentação. É desentender-se, entendendo-se. É sentir raiva por alguma falha mais continuar amando. É amar com defeitos e qualidades. Amor verdadeiro não acaba, mas o fogo apaga ainda que haja um fio de chama. Porque para amar é preciso aceitar a incompletude do outro. Saber que a metade não se completa, mas complementa. O amor não elimina uma falta que temos, mas, ameniza o desconforto. A paixão acaba quando o assunto desvanece e não tem espaço para a discussão. Nessas horas nada mais importa porque o que os unia caiu no chão. E então, não sabe se amou ou se apaixonou. Não passava de ilusão. Quase uma confusão. Talvez, a paixão seja uma fusão...O que nos tira o fôlego e nos deixa com o coração na mão. Ou não. Não sei. Me perdi, confundi.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O desconhecido.


Estava sentada na areia da praia, sentindo a brisa tocar meu corpo. Sem pensar em nada, sentia arrepio de pele e alegria de alma que, apesar das dores da existência, permitia-me sentir a alegria de ter nascido e a tristeza de ter resistido a sentir o gosto e a doçura da vida desconhecida em mim. Eu precisava desmoronar para me edificar e enfrentar o medo do precipício. O desconhecido. Uma vida no infinito da quimera e da incerteza do amanhã. Porque existir dói, mas viver é suportável e vivível quando não se busca explicação para a vida. Tinha pedaços de vida perdida na esquina.
Eu era naquela hora uma criança deslumbrada com a beleza do mar. E pensei na vida como uma adulta. Eu queria arranhar o céu, mas roia minhas unhas. Era a ingenuidade que anunciava que a criança não se torna adulto. Mas a gente vive a brincar de ser adulto se ainda é criança aqui dentro. Sentia febre de amor. O amor permanece infantil. E não adianta tentar mudá-lo, porque amor não muda, permanece assim. As formas de se relacionar sim. Essas mudam.
O desconhecido. Com um apelo no olhar revelava os segredos de seu vazio de alma e a procura pela inexplicável permuta de sentires. Abreviavamos as despedidas e como se colocasse uma vírgula no conto, ele me olhava e nada dizia, apesar de sentir o coração acelerar e saltitar em pulsações.Eu adormecia sob a luz do olhar dele.
Eu estava destinada a realidade. Minha obrigação era viver no enfado da ambivalência do amor de mundo; e ninguém me diria mais tarde que era amor e desalento. Era exaustiva a jornada ideológica que me conduzia no caminho das pedras e das marés. Aliás, eu sequer me aproximava da profundidade.
De repente, despertei. A vida é escrita nas profundezas oníricas e editadas na realidade. Estava sonhando. Meu amado estava roncando alto.

Arts Bighouse