quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O desconhecido.


Estava sentada na areia da praia, sentindo a brisa tocar meu corpo. Sem pensar em nada, sentia arrepio de pele e alegria de alma que, apesar das dores da existência, permitia-me sentir a alegria de ter nascido e a tristeza de ter resistido a sentir o gosto e a doçura da vida desconhecida em mim. Eu precisava desmoronar para me edificar e enfrentar o medo do precipício. O desconhecido. Uma vida no infinito da quimera e da incerteza do amanhã. Porque existir dói, mas viver é suportável e vivível quando não se busca explicação para a vida. Tinha pedaços de vida perdida na esquina.
Eu era naquela hora uma criança deslumbrada com a beleza do mar. E pensei na vida como uma adulta. Eu queria arranhar o céu, mas roia minhas unhas. Era a ingenuidade que anunciava que a criança não se torna adulto. Mas a gente vive a brincar de ser adulto se ainda é criança aqui dentro. Sentia febre de amor. O amor permanece infantil. E não adianta tentar mudá-lo, porque amor não muda, permanece assim. As formas de se relacionar sim. Essas mudam.
O desconhecido. Com um apelo no olhar revelava os segredos de seu vazio de alma e a procura pela inexplicável permuta de sentires. Abreviavamos as despedidas e como se colocasse uma vírgula no conto, ele me olhava e nada dizia, apesar de sentir o coração acelerar e saltitar em pulsações.Eu adormecia sob a luz do olhar dele.
Eu estava destinada a realidade. Minha obrigação era viver no enfado da ambivalência do amor de mundo; e ninguém me diria mais tarde que era amor e desalento. Era exaustiva a jornada ideológica que me conduzia no caminho das pedras e das marés. Aliás, eu sequer me aproximava da profundidade.
De repente, despertei. A vida é escrita nas profundezas oníricas e editadas na realidade. Estava sonhando. Meu amado estava roncando alto.

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